No início eram as fitas. No "meu" início, claro, e ainda assim nem eram as idolatradas e quase extintas fitas analógicas. Eram aquelas digitais de adat, que todo mundo que via perguntava:
Jegue: "Essa fita dá pra usar no vídeo-cassete?"
Eu: "Dá sim, mas eu nunca usei."
Jegue: "Por que não? A imagem fica ruim?"
Eu: "Não. É que elas custam dez vezes mais que uma fita de vídeo."
Naquela época o esquema era gravar no adat e mixar na mesa mesmo, já passando pra um dat. Computador eu tinha, mas só usava pra seqüenciar os teclados via midi, através daqueles infames cabos que eram midi de um lado e paralelo do outro. Tinha também um programa chamado Wave Studio, que vinha grátis com a placa de som. Nesse programa só rolava o seguinte: copiar, colar, deletar e inverter, tudo em arquivos mono ou estéreo. Mais de dois canais era inimaginável na época.
Eu mesmo não botava nenhuma fé em gravação em computador. Eu achava que nunca ia existir um computador capaz de rodar os oito canais que um adat rodava, já que o meu se peidava pra rolar um arquivo estéreo mais longo. Mas eis que um dia chegou uma banda pra gravar e o baterista era muito fraco. Não musicalmente, mas fisicamente. O cara ia cansando durante a música, e aí a coisa ia ficando mais devagar e embananada.
A solução então foi mixar a bateria logo depois que ela foi gravada, de seis ou sete canais para um mix estéreo, já gravando no tal programa de recortar e colar. Sem nenhum sync, em tempo real e usando aquela entrada de linha que toda placa de som doméstica tem. Feito isso, os trechos em que o batera farrapava foram trocados por trechos mais certinhos, da mesma maneira que você troca palavras em seu editor de texto. Só que, quando mais pro começo da música fosse a edição, mas tempo demorava, porque havia todo o resto da música para ser recolocado pelo programa no lugar certo depois que a parte errada era substituída. Feito isso, todos os takes de bateria voltaram para dois canais do adat, ainda usando a saída de linha barulhenta da sound blaster, e assim o resto dos instrumentos pôde ser gravado.
Gravador de cd também não existia, portanto a galera que eu gravei no começo terminava lançando as coisas em fita k7 mesmo. E gravar k7 era em tempo real também. Bota a música pra tocar, até encher um lado. Aí pára, vira a fita, avança aquele espaço que não grava no começo, e bota pra gravar o resto. Isso pra cada fita. Aliás, tempo real era quem mandava soltar e prender naquela época.
Mixar um disco em tempo real significava dar o play na música, ir mixando até ela chegar ao fim, rebobinar até o começo, dar o play de novo e continuar a mixagem. Se a bateria tivesse só uma virada de tons lá pelo meio, aí era aula de paciência mesmo. Mas às vezes eu acho que isso faz um pouco de falta hoje em dia. A música dependia mais de bons músicos, bons instrumentos e bons ouvidos do que de copiar e colar.
Jegue: "Essa fita dá pra usar no vídeo-cassete?"
Eu: "Dá sim, mas eu nunca usei."
Jegue: "Por que não? A imagem fica ruim?"
Eu: "Não. É que elas custam dez vezes mais que uma fita de vídeo."
Naquela época o esquema era gravar no adat e mixar na mesa mesmo, já passando pra um dat. Computador eu tinha, mas só usava pra seqüenciar os teclados via midi, através daqueles infames cabos que eram midi de um lado e paralelo do outro. Tinha também um programa chamado Wave Studio, que vinha grátis com a placa de som. Nesse programa só rolava o seguinte: copiar, colar, deletar e inverter, tudo em arquivos mono ou estéreo. Mais de dois canais era inimaginável na época.
Eu mesmo não botava nenhuma fé em gravação em computador. Eu achava que nunca ia existir um computador capaz de rodar os oito canais que um adat rodava, já que o meu se peidava pra rolar um arquivo estéreo mais longo. Mas eis que um dia chegou uma banda pra gravar e o baterista era muito fraco. Não musicalmente, mas fisicamente. O cara ia cansando durante a música, e aí a coisa ia ficando mais devagar e embananada.
A solução então foi mixar a bateria logo depois que ela foi gravada, de seis ou sete canais para um mix estéreo, já gravando no tal programa de recortar e colar. Sem nenhum sync, em tempo real e usando aquela entrada de linha que toda placa de som doméstica tem. Feito isso, os trechos em que o batera farrapava foram trocados por trechos mais certinhos, da mesma maneira que você troca palavras em seu editor de texto. Só que, quando mais pro começo da música fosse a edição, mas tempo demorava, porque havia todo o resto da música para ser recolocado pelo programa no lugar certo depois que a parte errada era substituída. Feito isso, todos os takes de bateria voltaram para dois canais do adat, ainda usando a saída de linha barulhenta da sound blaster, e assim o resto dos instrumentos pôde ser gravado.
Gravador de cd também não existia, portanto a galera que eu gravei no começo terminava lançando as coisas em fita k7 mesmo. E gravar k7 era em tempo real também. Bota a música pra tocar, até encher um lado. Aí pára, vira a fita, avança aquele espaço que não grava no começo, e bota pra gravar o resto. Isso pra cada fita. Aliás, tempo real era quem mandava soltar e prender naquela época.
Mixar um disco em tempo real significava dar o play na música, ir mixando até ela chegar ao fim, rebobinar até o começo, dar o play de novo e continuar a mixagem. Se a bateria tivesse só uma virada de tons lá pelo meio, aí era aula de paciência mesmo. Mas às vezes eu acho que isso faz um pouco de falta hoje em dia. A música dependia mais de bons músicos, bons instrumentos e bons ouvidos do que de copiar e colar.

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