Quando rolou aquela edição de bateria logo em uma das primeiras gravações de que participei, eu não tinha noção de que ali estava nascendo um novo passo no processo de produção musical: a edição. Situada entre a gravação e a mixagem, a edição é o que os gringos carinhosamente apelidaram de computer magic. Nela, virtualmente qualquer um é capaz de qualquer coisa. Pode-se consertar um errinho de um bom músico ou pode-se criar execuções incríveis de músicos apenas razoáveis.
E acabou que hoje em dia ninguém escapa da edição. Afinal, uma boa execução pode salvar uma música ruim, mas uma boa música nunca salvará uma execução ruim. E depois do advento da edição, qualquer coisa pode ser feita em estúdio. Aliás, ultimamente o método mais produtivo de gravação é gravar várias vezes a mesma coisa e depois pegar as melhores partes de cada take e juntar pra fazer um take perfeito. Isso leva muito mais tempo pra ser feito do que o músico gravar direito do começo ao fim da música, e tempo é dinheiro. Se os músicos gravassem direitinho do começo ao fim do disco, tenho certeza de que os custos para as bandas seriam 30% menores. Já fiz a conta na ponta do lápis.
Isso se aplica não só a quem toca, mas a quem canta também. Com o agravante que, quando um instrumento está desafinado, é só rodar a tarracha e fica tudo ok. No caso dos cantores, a tarracha quase sempre é o Autotune. Esse programa é tão sensacional que merece um parágrafo só pra ele.
O Autotune é um programa que permite colocar cada sílaba na sua devida nota. Ele primeiro escuta o que está gravado e depois mostra na tela a nota em que cada sílaba está. Cabe a você decidir pra onde puxar cada sílaba. Quando usado com sabedoria, o Autotune resolve a maioria das desafinações e passa despercebido. Quando usado deslavadamente ele deixa rastros inconfundíveis na voz do artista. Há músicas tocando no rádio em que o cara passou Autotune no cantor como quem passa massa corrida numa parede. Afinar a voz com Autotune é um paso que vem imediatamente após aquele tedioso processo de sair catando o melhor de vários takes pra criar o take perfeito. E se a música tiver mais de um vocal ao mesmo tempo, aí o Autotune é quase que regra hoje em dia.
Eu tenho a impressão de que uma boa execução é sempre melhor que uma edição, por mais cuidadosa e meticulosa que ela (a edição, claro) seja. Sem a necessidade de edições quilométricas, as músicas podem soar mais naturais e há mais tempo para experimentalismos de estúdio. Aliás, é uma pena que com o passar dos tempos a edição venha tomando o lugar desses experimentalismos e a figura do produtor funcione mais como "ajeitador".
E acabou que hoje em dia ninguém escapa da edição. Afinal, uma boa execução pode salvar uma música ruim, mas uma boa música nunca salvará uma execução ruim. E depois do advento da edição, qualquer coisa pode ser feita em estúdio. Aliás, ultimamente o método mais produtivo de gravação é gravar várias vezes a mesma coisa e depois pegar as melhores partes de cada take e juntar pra fazer um take perfeito. Isso leva muito mais tempo pra ser feito do que o músico gravar direito do começo ao fim da música, e tempo é dinheiro. Se os músicos gravassem direitinho do começo ao fim do disco, tenho certeza de que os custos para as bandas seriam 30% menores. Já fiz a conta na ponta do lápis.
Isso se aplica não só a quem toca, mas a quem canta também. Com o agravante que, quando um instrumento está desafinado, é só rodar a tarracha e fica tudo ok. No caso dos cantores, a tarracha quase sempre é o Autotune. Esse programa é tão sensacional que merece um parágrafo só pra ele.
O Autotune é um programa que permite colocar cada sílaba na sua devida nota. Ele primeiro escuta o que está gravado e depois mostra na tela a nota em que cada sílaba está. Cabe a você decidir pra onde puxar cada sílaba. Quando usado com sabedoria, o Autotune resolve a maioria das desafinações e passa despercebido. Quando usado deslavadamente ele deixa rastros inconfundíveis na voz do artista. Há músicas tocando no rádio em que o cara passou Autotune no cantor como quem passa massa corrida numa parede. Afinar a voz com Autotune é um paso que vem imediatamente após aquele tedioso processo de sair catando o melhor de vários takes pra criar o take perfeito. E se a música tiver mais de um vocal ao mesmo tempo, aí o Autotune é quase que regra hoje em dia.
Eu tenho a impressão de que uma boa execução é sempre melhor que uma edição, por mais cuidadosa e meticulosa que ela (a edição, claro) seja. Sem a necessidade de edições quilométricas, as músicas podem soar mais naturais e há mais tempo para experimentalismos de estúdio. Aliás, é uma pena que com o passar dos tempos a edição venha tomando o lugar desses experimentalismos e a figura do produtor funcione mais como "ajeitador".

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